Todo fim de ano, a folha de pagamento praticamente dobra. Além dos salários de novembro e dezembro, a empresa precisa pagar o 13º salário de cada colaborador, com FGTS e encargos. Por isso, quem deixa para pensar nisso em novembro costuma apertar o caixa, recorrer a empréstimo ou atrasar outros compromissos.
Neste guia, você entende quais são os prazos do 13º salário em 2026, quanto ele realmente custa para a empresa e como se organizar desde já para pagar sem sustos.
Prazos do 13º Salário em 2026
A Lei nº 4.749/1965 permite pagar o 13º em duas parcelas. Em 2026, o calendário fica assim:
- 1ª parcela: até 30 de novembro (segunda-feira). Corresponde a 50% da remuneração e não tem desconto de INSS nem de Imposto de Renda.
- 2ª parcela: até 18 de dezembro. O prazo legal é dia 20, mas, como cai em um domingo, o pagamento deve ser antecipado para o último dia útil anterior.
- Parcela única: é permitida, desde que paga até 30 de novembro, o prazo da 1ª parcela. Pagar tudo em dezembro, de uma vez, é irregular.
Além disso, o colaborador pode pedir a 1ª parcela junto com as férias, desde que faça a solicitação até janeiro. Esse adiantamento ajuda a diluir o desembolso ao longo do ano.
Quanto o 13º Salário Custa Para a Empresa
O valor bruto do 13º é só uma parte da conta. Sobre ele incidem encargos que variam conforme o regime tributário da empresa:
- FGTS de 8%: incide sobre as duas parcelas, em qualquer regime, e é recolhido pelo FGTS Digital.
- INSS patronal: no Lucro Presumido e no Lucro Real, há 20% de contribuição patronal, mais RAT e contribuições a terceiros, o que leva a carga para algo entre 26% e 29%.
- Simples Nacional: na maioria dos anexos, a contribuição patronal já está dentro do DAS. A exceção é o Anexo IV, em que o INSS patronal é recolhido à parte.
Ou seja, a escolha do regime pesa bastante no custo da folha. Se você ainda tem dúvidas sobre esse ponto, vale ler nosso comparativo entre Simples Nacional e Lucro Presumido.
Exemplo Prático
Imagine uma empresa do Lucro Presumido com 10 colaboradores, cada um com salário de R$ 3.000. O custo estimado do 13º fica assim:
| Item | Valor estimado |
|---|---|
| 13º salário (10 × R$ 3.000) | R$ 30.000 |
| FGTS (8%) | R$ 2.400 |
| INSS patronal, RAT e terceiros (cerca de 28%) | R$ 8.400 |
| Custo total | R$ 40.800 |
Na prática, o 13º custa cerca de 36% a mais do que o valor que chega aos colaboradores. E esse desembolso acontece justamente no mês em que a folha normal também precisa ser paga.
Os Descontos Ficam na 2ª Parcela
A 1ª parcela é paga sem descontos. Já na 2ª parcela, a empresa calcula o INSS e o Imposto de Renda sobre o valor total do 13º e desconta tudo de uma vez, além do adiantamento já pago. Por isso, a 2ª parcela é sempre menor do que a primeira.
Em 2026, há uma novidade importante: com a Lei nº 15.270/2025, quem ganha até R$ 5.000 por mês deixou de pagar Imposto de Renda, e a redução vale também para o 13º. Para rendas até R$ 7.350, o imposto diminui de forma gradual. Assim, a folha de pagamento precisa estar com o cálculo atualizado para não reter imposto indevidamente.
Outro ponto de atenção são as verbas variáveis. Horas extras, comissões e adicionais habituais entram na média do 13º. Calcular só sobre o salário fixo é um dos erros mais comuns, e a diferença acaba sendo paga depois, com encargos.
Como Planejar o Caixa Para o 13º
A forma mais segura de pagar o 13º sem aperto é tratá-lo como uma despesa do ano inteiro, e não de dezembro. Algumas práticas ajudam bastante:
- Faça a provisão mensal: reserve todo mês 1/12 da folha, somando FGTS e encargos. No exemplo acima, seriam cerca de R$ 3.400 por mês.
- Separe o dinheiro: mantenha a provisão em uma conta ou aplicação de liquidez diária, para não misturar com o capital de giro.
- Antecipe pelas férias: incentivar o pagamento da 1ª parcela junto com as férias distribui o custo ao longo do ano.
- Revise o fluxo de caixa: confira se as entradas de novembro e dezembro cobrem folha, 13º, impostos e fornecedores.
Se a sua empresa ainda não acompanha as entradas e saídas com regularidade, nosso guia de fluxo de caixa empresarial mostra como montar esse controle.
O 13º Também Afeta os Impostos do Simples Nacional
Para empresas de serviços no Simples Nacional, o 13º entra na folha de salários usada no cálculo do Fator R. Quando a folha dos últimos 12 meses chega a 28% do faturamento, a empresa pode ser tributada pelo Anexo III, com alíquotas menores, em vez do Anexo V.
Por isso, o pagamento do 13º pode ajudar a manter ou alcançar o Fator R. Esse cálculo, porém, precisa ser acompanhado mês a mês, junto com o pró-labore dos sócios.
O Que Acontece Se a Empresa Atrasar
O atraso no 13º gera multa administrativa por colaborador em caso de fiscalização trabalhista, além de juros e multa sobre o FGTS e o INSS recolhidos fora do prazo. Débitos em aberto também podem impedir a emissão da Certidão Negativa de Débitos, o que trava licitações, financiamentos e contratos.
Considerações Finais
O 13º salário não é uma surpresa, mas costuma ser tratado como uma. Com provisão mensal, cálculo correto das médias e atenção ao regime tributário, ele deixa de ser um problema de dezembro e vira apenas mais uma linha do planejamento financeiro.
Uma contabilidade consultiva ajuda a projetar esse custo com antecedência e a encontrar o melhor caminho para a sua empresa. Se você quer organizar o 13º e a folha de pagamento com segurança, fale com a equipe da Márcia Cavalcante.
